A criatividade no combate ao caos urbano

Nas grandes metrópoles, o trânsito de veículos é sinônimo de problema. Congestionamento das vias, poluição do ar e acidentes são conseqüências naturais do grande fluxo de automóveis. Muitas cidades, por esse motivo, vêm tomando medidas criativas e por vezes polêmicas para diminuir a circulação de veículos automotores nos perímetros urbanos.

O município de São Paulo, por exemplo, instituiu o rodízio de veículos em 1997, que restringe a utilização do automóvel em períodos pré-definidos, de acordo com o número final da sua placa. Com o propósito de melhorar as condições ambientais, reduzindo a carga de poluentes na atmosfera, logo passou a reduzir o congestionamento nas principais vias da cidade nos horários de maior movimento.

Porém, o rodízio não solucionou o problema. Com o passar do tempo, os congestionamentos voltaram a aumentar. Devido à facilidade de crédito, muitas pessoas compraram um segundo veículo, com numeração de placa diferente, o que lhes permitiu sempre ter um carro à disposição. Além disso, a frota de automóveis e motocicletas cresceu enormemente nos últimos anos. Isso forçou o governo municipal a ampliar a restrição, vedando o tráfego de caminhões dentro do centro expandido da cidade, a partir de 2008.

O sistema de pedágio urbano de Londres, que começou em 2003, limita o tráfego no centro da cidade, fiscalizando as placas dos veículos através do uso de câmeras. O pagamento pode ser feito em lojas credenciadas, por telefone, por mensagem de texto via celular e pela internet. Os resultados foram bastante positivos, no que diz respeito aos objetivos do programa, principalmente redução de tráfego veicular acessando a área controlada.

Em Singapura, o pedágio urbano funciona desde 1975, sendo que a sua operação passou por diversas modificações ao longo do tempo. Outras metrópoles como Oslo e Cidade do México também implantaram com relativo êxito sistemas semelhantes nas últimas décadas.

A Holanda, um dos países com maior densidade populacional da Europa, é também um dos que mais sofrem com congestionamentos de trânsito. Por isso, o ministério dos transportes holandês anunciou uma medida inédita, que está gerando acalorados debates. A partir de 2012, o governo passará a cobrar uma taxa por quilômetro rodado de todos os carros que circulam no país. Os valores serão maiores nas vias mais movimentadas e nos horários com volume de trânsito maior. Carros híbridos e os muito econômicos terão descontos. Como compensação pela nova taxa, os impostos sobre veículos serão reduzidos. Até a cobrança entrar em vigor, todos os motoristas holandeses terão de equipar seus carros com aparelhos de GPS, que enviarão as informações sobre sua movimentação a uma central responsável pela cobrança. A falta do GPS acarretará multa.

O rodízio de veículos, o pedágio urbano, a tarifa por quilômetro rodado, são programas que geram ônus aos proprietários de automóveis nos grandes centros urbanos, mas, ao mesmo tempo, contam um alto grau de aprovação da população em geral, inclusive dos próprios motoristas. É consenso que o trânsito caótico e a poluição atmosférica são males muito piores que qualquer programa de limitação de circulação. São pequenos sacrifícios individuais que resultam em uma considerável melhora na qualidade de vida da coletividade.

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